Memórias de processos criativos assinados por Herê Aquino ganha registro em livro, exposição e documentário
Entre março e abril, além de uma mostra com espetáculos, o público vai poder acessar bastidores importantes de processos criativos conduzidos pela artista cearense
O projeto #HerêAquinoMundo está elaborando registro do trabalho realizado pela diretora e pesquisadora teatral Herê Aquino junto ao Grupo Expressões Humanas, à Cia Prisma e à Cia Bravia, com quem a artista vem desenvolvendo montagens e assinando recentes encenações. Entre os meses de março e abril, o material de memória desses processos criativos vai subsidiar uma exposição virtual, a publicação de um livro, o lançamento de um documentário audiovisual e rodas de conversa. Vão acontecer, ainda, apresentações de espetáculos, tudo de forma remota. A programação do projeto vai ser lançada nesta quarta-feira (10), às 19h, no canal do Grupo Expressões Humanas no YouTube.
A trajetória da diretora Herê Aquino é marcada por forte poética artística e política que se expressa tanto em sua estética quanto em sua firme convicção na potência do teatro de grupo. É assim que ela tem caminhado ao longo das décadas dedicadas a este ofício. “A ideia que nos move nesse projeto”, explica Herê, “é a importância do registro e do compartilhamento desses processos criativos”. A diretora sublinha que a obra teatral é efêmera e mais ainda o são os processos criativos que geram essas obras, por isso é tão importante e necessário o registro dessas memórias.
Ao longo de março, nas quartas-feiras seguintes, o público vai poder conferir, em ambiente virtual, uma mostra de espetáculos com direção de Herê Aquino. No dia 17, às 15h, “Putz, a menina que buscava o sol” (Cia Prisma); no dia 24, às 19h, “Îandé Tekoha” (Expressões Humanas) e no dia 31, às 19h, “O ano que não acabou” (Expressões Humanas). Estão previstas para o final de abril as estreias de dois novos trabalhos da diretora cearense, “Des-Amor-Daçar” (Cia Prisma de Artes) e “Das que Ousaram Desobedecer” (Cia Bravia).
Publicação
O livro ‘Diário de Bordo, um estudo sobre processos teatrais’ é parte importante do resultado deste projeto. A obra traz textos de artistas com quem Herê dividiu sala de ensaio em suas montagens recentes. Marina Brito, Rogério Mesquita, Lara Leôncio, Klebson Alberto, Wallace Rios, Marina Brizeno e Liliana Brizeno refletem sobre os processos coletivos conduzidos pela diretora e os seus desafios em meio a esse furor criativo para além da tipologia da cena. O Projeto #HerêAquinoMundo é apoiado pela Secretaria Estadual da Cultura, através do Fundo Estadual de Cultura, com recursos provenientes da Lei Federal nº 14.017 de 29 de junho de 2020.
PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA
A Cia Prisma apresenta “Putz, a menina que buscava o sol” na quarta-feira (17), a partir das 15h, com uma roda de conversa após o espetáculo. O infantil leva à cena a trajetória lúdica de uma menina em busca de si mesma. Putz é inquieta, viva e disposta mesmo quando triste. Como a mãe da menina, o seu pai e os irmãos querem que ela seja de uma determinada cor, de um determinado jeito, a personagem resolve buscar o sol, que tem todas as cores ou todas as experiências. Para isso, Putz atravessa a terra do fogo, da água e dos ventos em companhia de amigos, que vão contribuindo com essa trajetória com ela. Brincando, vai crescendo, vencendo os medos, enfrentando os desafios e descobrindo a força de estar junto.
O Grupo Expressões Humanas apresenta “Îandè Tekoha” na programação da quarta-feira (24), às 19h, com roda de conversa após a apresentação. A montagem fala de resistência, de luta, de afeto e de outras formas de existência. Nasce da pesquisa documental sobre a questão indígena no Brasil e do encontro do Grupo Expressões Humanas com povos indígenas, pesquisadores e ativistas da causa, no Ceará. A peça aborda o tema pelo viés do teatro documental, teatro gestual e teatro performativo que, nesse caso, serviram de base para o aprofundamento do teatro ritualístico, fonte da pesquisa teatral do grupo.
“O ano que não acabou”, do Grupo Expressões Humanas, será exibido na quarta-feira (31), às 19h, com roda de conversa após a apresentação. A peça conta a história de uma mãe que confina a vida no quarto do filho desaparecido nos porões da ditadura militar brasileira. Por meio de cenas entrecortadas, o espetáculo pontua fortes críticas a toda repressão ocorrida em 1968 e faz um paralelo com a atual conjuntura política do país, onde os horrores da ditadura e seus algozes são ressaltados sem que nenhuma punição aconteça. Um espetáculo que procura criar uma relação direta entre o passado e o presente para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça.
SERVIÇO
O QUE:
Projeto realiza mostra de espetáculos de Herê Aquino em março e se prepara para publicações com registro de memória dos processos criativos
QUANDO:
Lançamento da programação
Quarta-feira (10), às 19h
Mostra de Espetáculos às quartas-feiras
Dia 17, às 15h – Putz, a menina que buscava o Sol
Dia 24, às 19h – Iandé Tekoha
Dia 31, às 19h – O ano que não acabou
ONDE:
Toda a programação será veiculada no canal do Grupo Expressões Huamanas no YouTube: https://www.youtube.com/user/expressoeshumanas

